High-Intensity Interval Training

HIIT
O treinamento intervalado de alta intensidade conhecido como HIIT é um método de treino realizado por praticantes de atividades físicas, este tema merece uma atenção especial devido as suas características de esforço físico e prescrições. Não podemos deixar que o “modismo” ultrapasse a ciência e as pesquisas sobre o tema “HIIT” (HIGH-INTENSITY INTERVAL TRAINING) e “HIT” (HIGH INTERVAL TRAINING), ou seja, a fisiologia do exercício “esforço”, pesquisas com resultados agudos e crônicos, intervenções e diferentes públicos. O HIIT traz diversos benefícios, ok! Porém, basear-se nos resultados adquiridos do HIIT tradicional (clássico) para prescrever treinos de fitness e de circuito e chamá-los de “ HIIT” têm uma grande diferença, além de não proceder. Os professores de educação física devem atentar e distinguir os métodos para não disseminar uma ideologia de treino pela qual a fundamentação teórica está incoerente, quando aplicada na prática. Há poucos estudos (ainda) sobre o HIIT e seus benefícios na área do fitness. Segue um breve trecho da Tese de Doutoramento da professora Laura Castro de Garay sobre o protocolo HIT.

“…O protocolo mais utilizado para verificar os diversos efeitos fisiológicos do High Interval Training (HIT) é o clássico Wingate Test (Vandewalle, Peres, & Monod, 1987) que consiste basicamente de 30 segundos de esforço máximo, com uma carga supra máxima e repetido entre 4-6 vezes com 4 minutos de recuperação entre cada estímulo, realizado em um cicloergômetro especializado. O modelo do Wingate Test foi comparado a um teste anaeróbico máximo na esteira através de estímulos de 20 segundos de duração por 120 segundos de recuperação, com uma inclinação inicial de 4% e velocidade de 14.6 km/h, seguidos de acréscimos de 1.37 km/h a cada estímulo até a exaustão. Apesar das pequenas diferenças encontradas, ambos os testes apresentam uma boa confiabilidade e validade na sua utilização (Nummela, Alberts, Rijntjes, Luhtanen, & Rusko, 1996). Atualmente, as investigações científicas sobre o treinamento de corrida para performance, otimização do tempo de treino e perda de peso giram em torno do HIT (Sijie et al., 2012; Storen et al., 2012). Para Gibala et al. (2012), apesar das poucas evidências, a literatura já apresenta resultados positivos sobre os efeitos do HIT quando realizado em baixo volume, apesar dos autores não acharem um método de treino seguro para a maioria das pessoas que não estão na categoria “atleta”. Gibala et al. (2006) realizaram o primeiro estudo sobre as adaptações metabólicas do HIT, baseado no Wingate Test comparado ao treinamento contínuo tradicional. Os autores verificaram que com apenas seis sessões de treino realizadas em 2 semanas, os indivíduos jovens ativos apresentaram uma melhora na performace (tempo) e na adaptação neuromuscular, normalmente associadas ao treinamento contínuo de longa duração (90-120 min; 65%VO2pico). Posteriormente a estes achados, outros estudos apresentaram similares efeitos ao comparar ambos protocolos de treinamento (Bangsbo et al., 2009; Burgomaster et al., 2008). Uma das limitações da utilização do Wingate no treinamento é que requer um cicloergômetro especializado, além de um alto nível de motivação por parte dos praticantes, devido as altas intensidades de esforços (Gibala, 2007). Segundo alguns autores (Currie et al., 2013; Gosselin, Kozlowski, DeVinney-Boymel, & Hambridge, 2012) o High Interval Training (HIT) apresenta adaptações similares ou até superiores nos parâmetros fisiológicos quando comparado ao tradicional modo contínuo de execução. O HIT pode servir como uma alternativa para o tradicional endurance training quando há uma equiparação da taxa de trabalho e/ou gasto energético, além de ser uma excelente estratégia para a barreira “falta de tempo” (Gibala, Little, Macdonald, & Hawley, 2012). Um fator limitante do HIT é a fadiga muscular, ou seja, a incapacidade do indivíduo de se manter no esforço exigido ou esperado, acarretando uma queda na performance muscular quando submetido aos esforços máximos ou submáximos (Edwards, 1981). A fadiga é um sintoma observado durante a realização das atividades, mas ultimamente vem sendo analisada como uma “medida” ou “variável” (Bogdanis, 2012). Para uma melhor administração da relação estímulo-intensidade-recuperação, torna-se importante demarcar zonas de esforço a serem realizadas durante a tarefa estabelecida, com o intuito de, se alcançar um melhor desempenho e um melhor aproveitamento nos períodos de recuperação, para se manter no esforço e evitar que a fadiga impeça subsequentes estímulos (Hofmann & Tschakert, 2011). De fato a recuperação é determinante no desempenho, contudo autores (Mandroukas et al., 2011) relatam que quanto menor a recuperação, mais ativo se torna o mecanismo anaeróbico. Segundo Mandroukas et al. (2011) independentemente do tipo de recuperação (passiva ou ativa) que irá se utilizar, o desempenho (e.g. potência, velocidade) alcançado no treinamento intervalado (~30 minutos) são superiores quando comparados ao modo contínuo de execução. Na maioria dos estudos sobre treinamento intervalado, a recuperação entre os estímulos se apresenta com um padrão “fixo” em relação a duração, ou seja, realiza-se o mesmo tempo de duração entre os estímulos, normalmente ≤30 segundos. Outro modo de se realizar um treinamento aeróbico é o treinamento realizado através de variações da intensidade, sem recuperação entre as intensidades mais altas (Palmer, Noakes, & Hawley, 1997). Normalmente, quando as atividades físicas são prolongadas, principalmente em eventos de corrida e ciclismo, apesar do organismo se encontrar em “steady-state”, isto é, em uma intensidade “aparentemente” constante, muitas das vezes é exigido do indivíduo um aumento ou diminuição no ritmo de trabalho e, consequentemente na energia/intensidade aplicada para o esforço exigido naquele momento da tarefa.
Referência para citação: Garay, L. C. D. (2014). Efeito de dois programas de treinamento aeróbico (intervalado vs. contínuo) sobre o consumo máximo de oxigênio, frequência cardíaca e lactato sanguíneo pós esforço em homens ativos.

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