Esportes e equilíbrio emocional

Escrito por: Professora PhD Laura Castro de Garay (2016)

A prática da atividade física regular há tempo relata os benefícios para a saúde e bem-estar dos indivíduos. Recentemente, estudos correlacionam as varáveis do treinamento físico e seu impacto sobre a saúde mental do indivíduo, sugerindo que a realização de atividade física e de exercícios de alta intensidade estão ligados à uma melhora na estrutura cerebral e na, função, cognição e melhoria de desempenho intelectual, como memorização e nos mecanismos de aprendizagem. Segundo a WHO (World Health Organization) em seu estudo de 2005 “Promovendo Saúde mental” destaca que a “Saúde mental não é apenas a ausência de uma doença mental”, mas um estado positivo de bem-estar e de efetivo funcionamento onde o indivíduo percebe o seu potencial e, se é capaz de contribuir positivamente para a sociedade. A organização classifica os indicadores de saúde mental em três categorias:
1. Função cognitiva: atenção, percepção e memória.
2. Bem-estar: autoconceito
3. Mal-estar: depressão e ansiedade
Relativa à cognição, a relação mais forte com as atividades físicas aparece para tarefas que exigem grandes quantidades de função executiva (ou seja, o componente intencional de processos de interação que implica em ambientes, tais como a inibição, memória de trabalho e flexibilidade cognitiva).
A memória não é uma entidade que funciona de forma única. Ela é um conjunto de habilidades manipuladas por um cérebro que trabalham de modo independente, porém, de forma cooperada. Realizar esportes auxilia na melhora do desempenho seja na concentração, na elaboração de táticas, ajudando a raciocinar mais rápido e eficiente.
A diminuição da memória está associada ao resultado de reduções da velocidade de processamento das informações ou dificuldades para inibir processamento de informações irrelevantes.
As atividades físicas moderadas e leves, em particular aeróbias, caminhadas e corridas contribuem para o retardamento de declínios de função, alívio da tensão ou estresse, reduzindo os transtornos depressivos. As atividades auxiliam na gerência de desordens. Elas contribuem para outros mecanismos relacionados ao sistema cognitivo, são eles: induz um aumento na circulação cerebral e melhor oxigenação; liberação de neurotransmissores; melhoria de alguns núcleos psicológicos (bom humor e auto percepção). De acordo com Hotting et al. (2012) os estudos sobre atividade apresentam os efeitos benéficos no sistema nervoso central e na cognição. Os estudos exibem o aumento da neurogênese, ou seja, aumento da plasticidade sináptica e vascular cerebral especificamente no hipocampo. Temos as atividades que contribuem para essas melhorias:
1) Tai chi chuan = equilíbrio, mentalização e percepção. A prática de Tai Chi ocasiona um impacto no Sistema Nervoso Central, a longo prazo.
2) Judô e Karatê = trabalham muito a disciplina. São esportes individuais e altamente técnicos. Nem sempre o mais forte vence. A concentração e a mentalização são importantes trunfos nessas modalidades.
3) Treinamento em circuito = trabalha memória e inibição, atenção – memória e aprendizagem motora.
4) Treino Funcional = integração do sistema Nervoso Central, Sistema Motor e Sistema Vestibular. Precisão, atenção e equilibrío.
5) Atletismo = desenvolve a precisão na tarefa através dos “estímulos dominantes” que iniciam desde a preparação do atleta (treinamento físico) até antes do início da prova (psicológico, emocional e atenção) e sua realização (desempenho e concentração). Os “estímulos” garantem ao atleta a realização da tarefa com precisão para o sucesso na realização das provas.
Recentemente, em junho de 2016, o Colégio Americano de Medicina de Esporte (American College of Sports Medicine) relata que que a Cognição é um “conjunto de processos mentais que contribuem para percepção, memória, inteligência e ação” e a função executiva é “um conjunto de operações cognitivas subjacente à seleção, programação, coordenação e monitoramento do complexo, processos guiados por objetivos envolvidos na percepção, memória e ação”. O exercício altera estruturas cerebrais específicas e suas funções – dirigida a operações cognitivas subjacentes – percepção, memória e ação e são organizados ao longo de três componentes inter-relacionados no processos memória de trabalho, inibição da resposta, flexibilidade mental.

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