Treino Funcional ou Treino em Circuito?

Escrito por professora Laura Castro de Garay (2016) – PhD em Biodinâmica do Movimento

Método de Treinamento de Circuito e Funcional: Diferenças e aplicações
Atualmente os praticantes de atividades físicas buscam os métodos de exercícios físicos que apresentem resultados positivos em pouco tempo e de forma eficiente para o desempenho de suas atividades diárias, emagrecimento, melhora de condicionamento físico e na forma de lazer. Presencia-se nas mídias e redes sociais a propagação de métodos como o Treinamento em Circuito e o Treinamento Funcional de forma a otimizar o tempo e identificar as necessidades dos praticantes em seus treinos. Torna-se importante falarmos que os métodos têm vantagens, porém apresentam diferenças e particularidades. O treinamento funcional teve sua origem na fisioterapia para o tratamento de dores em geral, reabilitação física e com o objetivo de pré habilitação, ou seja, preparar o indivíduo para uma tarefa específica. O próprio nome emite o significado de melhorar a função de determinada condição. Técnicos, treinadores e personal trainer utilizavam o método com o intuito de fortalecimento articular e muscular de atletas e no trabalho das funções musculares através das cadeias cinéticas. Já o treinamento em circuito surgiu do rigoroso inverno inglês em 1953 para que os atletas de campo trabalhassem as qualidades físicas através de estações de exercícios em um local fechado, assim não perderiam a performance. O “Circuito Funcional” é visto nas mídias, como uma “mistura” de qualidades físicas (i.e. agilidade, coordenação, lateralidade, equilíbrio, velocidade) de forma desordenada que consequentemente não trabalha o princípio da especificidade. Se, o treino funcional objetiva o trabalho de uma qualidade física, utilizar o circuito só seria vantajoso se o mesmo objetivasse a melhoria desta capacidade física em questão. Trabalhar diversas qualidades físicas em formato de circuito não é caracterizado um treino funcional, pela definição original do método, e sim uma adaptação ao nome para torná-lo mais atrativo. As vantagens do treino funcional são: redução de lesões pelo princípio da progressão, treinar as áreas envolvidas para trabalhar da mesma maneira que serão utilizadas em determinadas atividades, a força é desenvolvida com objetivo de melhora nas habilidades e não pelo aumento da força, propicia o trabalho de movimentos globais e específicos realizados com materiais como: elásticos, bolas, bosu, suspensão. As máquinas e aparelhos tradicionais de musculação não exercem a característica funcional, pois isolam os músculos e uma das funções do treino funcional é trabalhar o corpo de forma a estímular diversas partes em conjunto. Apesar de, oferecer mais segurança e proteger o organismo de algumas lesões, a máquina por exercer a função “sentada” não treina os músculos de forma específica para a maioria dos movimentos realizados nos esportes. O treino funcional veio a beneficiar todas as populações desde as crianças até os idosos. Cabe aos professores de Educação Física elaborar a progressão do treinamento de forma objetiva e cautelosa em relação as necessidades e habilidades. Para os idosos o treino funcional é recomendado através de exercícios de equilíbrio para prevenção de quedas e para problemas de mobilidade pois, devido a diminuição do equilíbrio há um aumento do medo de cair e assim reduz a atividade diária. Treinamento de exercícios proprioceptivos e atividades como yoga são recomendadas para os idosos. Na década de 90 surge um novo paradigma, uma nova visão da função muscular através das cadeias cinéticas (grupos inter-relacionados de articulações e músculos que trabalham juntos para realizar os movimentos). A disfunção de um destes componentes provoca a compensação e adaptação de outro, é o que chamamos de padrões adaptativos compensatórios gerando uma sobrecarga ao organism, que ao médio longo prazo pode vir a gerar uma lesão. A maioria dos exercícios deve ser feito em pé e de forma multiarticular e uma atenção para os grupos estabilizadores no quadril, tronco e posterior de ombro para obter os benefícios do trabalho realizado. A integração dos sistemas nervoso central, motor e sensorial é fundamental para um ótimo funcionamento e realização das tarefas físicas em questão. Devido ao crescimento, as modificações na composição corporal e ao número de horas sentado, o treino funcional trás melhorias para os jovens. É recomendado exercícios específicos para fortalecimento abdominal e lombar fortalecimento do “Core”, desenvolvimento muscular de forma simétrica e equilíbrio em torno das articulações. Quando não se treina o Core há uma falta de coordenação intra-muscular ou fraqueza na musculatura postural que pode levar à movimentos menos eficientes. Com o avanço da idade os adultos saudáveis apresentam mudanças cognitivas, sensoriais e motoras que alteram a biomecânica (sentar, levantar, locomoção). Essas mudanças mais as restrições ambientais podem infelizmente afetar funções motoras essenciais para as atividades da vida diária. As estações de exercícios do treino de circuito podem ser com o tempo fixo, a carga fixa ou a carga individualizada sem determinação de tempo. Excelente trabalho para resultados a curto prazo com uma melhora no condicionamento aeróbico, resistência muscular, equilíbrio e agilidade. O circuito é motivante e o aspecto social o torna atrativo, principalmente para os iniciantes, por otimizar o tempo e apresentar variações constantes dos exercícios quanto a forma de execução e as diversidades dos recursos materiais. Porém, é importante ressaltar que, se o circuito for realizado ao ar livre e principalmente na areia, cabe ao professor organizar e adaptar o aluno e prezar pela sua segurança e progressão da intensidade e volume, pois a areia compromete algumas funções e benefícios quando comparadas a superfície rígida.

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