Adesão e manutenção à atividade física: uma breve revisão de literatura

Adesão e manutenção à atividade física: uma breve revisão de literatura.
Laura Castro de Garay
Citação bibliográfica do texto: DeGARAY, LC (2008). Associação entre aptidão física e adesão e manutenção
dos indivíduos aos programas de atividades físico-esportivas em uma academia de ginástica. (Dissertação de Mestrado). Rio de Janeiro: Programa de Pós-graduação em Educação Física – Universidade Gama Filho.

INTRODUÇÃO
O engajamento inconsistente à prática de exercícios físicos regulares a tempo tem se revelado, uma das preocupações da saúde pública. De acordo com o American College of Sports Medicine (ACSM) 1, os programas direcionados a prática de atividade física (AF) apontam para aproximadamente 70% de desistência/abandono nos primeiros três meses de AF e aproximadamente 50% no primeiro ano. Diversos autores 2-5 defendem que há uma série de fatores de natureza social que interferem tanto a prática quanto a não prática da AF e que, podem favorecer a maior ou menor motivação e adesão aos exercícios físicos. Algumas das explicações para o comportamento instável de um determinado grupo de pessoas poderiam estar relacionadas à falta de tempo; incompatibilidade de horários e locais de distante acesso, fatores estes que apresentam condições ambientais desfavoráveis a prática de AF.
Neste sentido, o forte apelo persuasivo incide sobre o comportamento dos indivíduos frente às possíveis opções de conservação da saúde, isto é, seria preciso reconhecer as ações preventivas e tomá-las como condutas regulares. Assim, com o intuito de incentivar os indivíduos a incorporar a adoção de hábitos positivos relacionados com a saúde, um grande número de pesquisas científicas tem como foco central os aspectos motivacionais que envolvem o processo de adesão das atividades físicas (AFs), 5-10.
Em contrapartida, estudiosos apontam para os aspectos fisiológicos como possíveis determinantes para a obtenção de resultados positivos em relação a saúde e na participação dos indivíduos em relação à AF 11-14. Bouchard et al.2 questionam se as pessoas são fisicamente inativas por causa de aspectos biológicos, pois a possibilidade de a genética ter um importante papel entre os aspectos influenciadores dos níveis da prática regular de AF é invocada em muitas linhas de evidência.
Nesta linha investigativa, Myers et al. 15, a partir de mais de 6.213 testes de esforço, verificaram que a capacidade para realizar exercício físico seria adequada para predizer, mais que outros fatores, os níveis de mortalidade para doenças cardiovasculares, concluindo que indivíduos com melhores condições físicas apresentam uma taxa maior de vida e uma maior aptidão física para realizar as AFs. Corroborando com tal argumento um estudo realizado com ratos selecionados artificialmente e divididos em dois grupos (a) um de elevada aptidão cardiovascular e (b) outro de baixa aptidão, apresenta resultados que parecem sugerir que os animais “saudáveis”, no uso vulgar do termo, estão mais predispostos à prática regular de AF
Tradicionalmente, o campo da educação física tem incorporado a ideia de que praticar regularmente exercícios físicos, ou mesmo se engajar às AFs do dia a dia, poderia contribuir à redução da incidência de uma série de doenças, tais como: as doenças cardiovasculares, o diabetes, a obesidade, a osteoporose, dentre outras 16-20. Este pensamento, quiçá hegemônico, baseia-se na advogada propriedade causal imputada às alterações fisiológicas decorrentes da prática regular de AF e não de uma disposição natural ou genética para a mesma. Como se pode verificar, existem na literatura, diversas correntes para explicar a conduta do indivíduo diante da prática de AF de forma geral. Estamos diante do famoso problema, ou seja, será que os indivíduos praticam AF porque se sentem motivados, ou são impulsionados a prática quando apresentam uma condição física favorável?
Neste sentido, o objetivo do presente estudo foi revisar na literatura os aspectos que envolvem o processo de adesão e manutenção dos indivíduos em relação à prática de atividades físicas. Para tal, foram coletados artigos de revistas de impacto e especializadas no tema através de pesquisa eletrônica realizada via o programa EndNote X4 com acesso ao banco de dados do Pubmed (NLM) e Web of Science (ISI). Utilizou-se palavras-chave como: physical fitness; physical activity; stages of change; barriers self-efficacy; motivational regulations; health behavior; exercise adherance and fitness.

PROCESSO DE ADESÃO: FATORES SOCIOECONÔMICOS, MOTIVACIONAIS E PSICOLÓGICOS.

O termo “adesão” está diretamente relacionado as modificações em direção aos comportamentos associados à saúde 1. Contudo, o pensamento dominante no campo da educação física e/ou saúde pública, frequentemente, parte da premissa de que estas modificações, em geral, são advindas de aspectos motivacionais e/ou psicológicos. Por esta razão, alguns modelos teóricos consideram a motivação pessoal, o nível de conhecimento intelectual e social como atributos determinantes na tomada de decisão em relação a adoção de hábitos positivos à saúde. Dentre os “modelos” utilizados para analisar o comportamento do indivíduo frente à prática de AF temos a Teoria Social Cognitiva; Teoria do Comportamento Planejado e o Modelo Transteórico dos Estágios de Mudança do Comportamento. No que se refere à prática da AF, tais teorias e modelos têm auxiliado na compreensão do comportamento como também tem sugerido estratégias de intervenção 21.
A Teoria Social Cognitiva de Albert Bandura 22 é uma forma de behaviorismo onde a meta é observar o comportamento dos indivíduos durante a interação do processo e o que ela pensa desse esquema. A aprendizagem ocorre não pelo reforço direto, mas por meio de “modelos”, observando o comportamento de outras pessoas (influências ambientais) e fundamentando os próprios padrões. O termo self-efficacy (auto eficácia) foi introduzido na teoria de Bandura e vem sendo utilizado para prever o comportamento e os valores em relação à saúde, e se a pessoa acredita que as ações pessoais desempenham um papel na determinação da própria saúde.
A Teoria do Comportamento Planejado 23 é uma das teorias mais utilizadas para observar o comportamento humano, orientada por fatores sócios cognitivos, o modelo assume que o comportamento é determinado direta e unicamente pela intenção em realizá-lo ou não. A intenção por sua vez, é estabelecida a partir de dois componentes: as atitudes em relação ao comportamento e a influência de normas sociais, que são subjetivas.
O Modelo Transteórico 8 originário da necessidade de se explicar os comportamentos dos tabagistas, considera que há particularidades para cada estágio de mudança, por exemplo, a pré-contemplação, em que se verifica uma total falta de interesse por parte do indivíduo em fazer alguma mudança, e a contemplação em que há um pensamento sobre a mudança desejada e se requer a definição dos riscos e benefícios de fazer ou não a mudança. Nestes estágios, os indivíduos ainda não iniciaram na prática os procedimentos necessários à saúde.
Em contrapartida no estágio preparação, os indivíduos praticam AF a níveis inferiores do recomendado pelos programas de promoção da saúde, ou seja, no mínimo de 30 minutos de AF de intensidade moderada por cinco dias ou mais na semana, ou três a cinco dias/semana de atividade de intensidade vigorosa por 20 minutos ou mais 19, 24. Já no estágio ação os indivíduos seguem as recomendações, mas somente durante seis meses e por último, o estágio manutenção verifica-se a prática das AFs de modo regular, por mais de seis meses.
O Modelo Transteórico apresenta um importante panorama quanto ao comportamento do indivíduo diante da prática da AF, ou seja, em qual das categorias o indivíduo se encontra, mas não fornece instrumentos suficientes de “como” e “porque” ocorreu a mudança. O modelo parece ser racional, e não podemos deixar de citar que há pessoas que iniciam um programa de AF num ato instantâneo, sem preparação ou reflexão prévia e, no caso dos fumantes, há indivíduos que deixam de fumar imediatamente, sem preparação. Outra situação seria os indivíduos que se veem diante da necessidade de interromper suas AFs, contra a sua vontade, devido a fatores como uma lesão articular ou muscular.
Por isso, recentes estudos 6, 25, 26 aplicam o conceito dos possíveis selves 27, para prever e alterar o comportamento dos indivíduos diante do exercício, que pode ser definido como um constructo psicológico que representa as idéias dos indivíduos diante do que eles desejam ser (saudável, praticante regular de AF), ou do que eles pretendem evitar (sedentarismo, excesso de peso). Uma vez definido os critérios de análise, é possível estabelecer uma ligação entre a opinião que o indivíduo tem de si mesmo e o seu comportamento motivacional para determinada tarefa. Um exemplo para tal estratégia seria, no caso de uma pessoa ter como objetivo completar a maratona, isto representaria uma “meta abstrata” ou uma mera “expectativa”, uma intenção. Enquanto que, questioná-lo sobre qual o sentido de completar a maratona, já traria uma idéia de “algo possível” ou “algo com significado”, que nos traria uma idéia mais próxima da realidade dos fatos.
Entretanto, Webb et al. 28 realizaram uma meta análise com 47 estudos, para verificar se a intenção do indivíduo de mudar de comportamento geraria uma mudança efetiva. Os autores concluiram que a “intenção” tem um impacto pequeno sobre a mudança, principalmente quando os participantes apresentam uma falta de controle sobre o seu comportamento, mas em contrapartida, quando existe um contexto social e circunstâncias adequadas para uma mudança de comportamento será possível verificar uma formação do hábito regular para as práticas das AFs. O hábito de praticar AF expressa, a rigor, o comportamento final almejado, visto que a adesão é um fenômeno complexo, e que deve ser entendido como um processo de mudanças 29.
Autores 1, 4 concordam que a decisão do indivíduo quanto a ser ativo ou não, reside em parte na individualidade da pessoa e nos estímulos externos como, o apoio de familiares, amigos e colegas de trabalho. Um recente estudo 30 reforça a ideia de que, aspectos intrínsecos ao ser humano estão diretamente relacionados com o seu comportamento diante da AF. Pois ao associar fatores como culpa, vergonha e orgulho à percepção corporal e a autoconfiança de mulheres jovens diante da AF, verificou-se uma forte correlação entre as variáveis. Ou seja, a “disposição” necessária para se iniciar a prática de AF pode estar baseada tanto nos fatores relacionados anteriormente, como na experiência (histórico) do indivíduo diante das AFs e nas facilidades e acessibilidades para se realizar a prática.
Contudo, fatores como a falta de tempo e o difícil acesso para o local da prática de AF são argumentos utilizados para se justificar a irregularidade diante de um programa de exercício. É possível que tal contexto nem sempre revele a verdade, e sim, seria uma justificativa, pois neste caso, foi verificado que a AF tinha pouca prioridade no tempo de lazer desses indivíduos 12. Além dos fatores psicológicos e socioeconômicos que envolvem o processo de adesão as AFs, os programas de condicionamento físico deveriam priorizar as individualidades dos praticantes, pois foi verificado que, indivíduos que iniciam um programa com alta intensidade ou alta frequência podem vir a interromper a prática, devido a fatores como lesões, dores musculares e articulares e um cansaço excessivo. Este quadro pode vir a afetar até 50% dos participantes iniciantes 24, 31.

ADESÃO E MANUTENÇÃO: APTIDÃO FÍSICA, FATORES BIOLÓGICOS E FISIOLÓGICOS.
Aptidão física e seus componentes – Inicialmente, nos anos 60 a aptidão física era considerada um componente da aptidão motora, que por sua vez era considerada parte da capacidade motora geral. Em 1964, Fleishman apresentou em sua obra The Structure and Measurement of Physical Fitness quais seriam os nove componentes da aptidão física 32. Entretanto, com o aumento das pesquisas referentes aos benefícios do treinamento das variáveis da aptidão tanto para a saúde como para a prevenção de certas doenças, realizou-se um encontro mundial para se definir quais variáveis seriam mais importantes.
No início dos anos 80, a Associação Americana de Saúde, Educação Física, Esportes e Dança – AAHPERD 33 apresentou a relação entre saúde e atividade física, como um contínuo de múltiplas características, onde a função cardiorrespiratória, a composição corporal e as funções musculoesqueléticas foram consideradas como as áreas das funções fisiológicas relacionadas com uma saúde positiva, e sendo então os componentes da aptidão física relacionados à saúde. Sendo assim, em 1988, no Canadá 34 a Organização Mundial de Saúde definiu a aptidão física como “a capacidade de desempenhar de modo satisfatório trabalhos musculares”, compreendendo a resistência/aptidão cardiovascular, a força e a resistência/aptidão muscular, a flexibilidade e a composição corporal.
A partir desta época diversos autores apresentaram conceitos para compreender a aptidão física e seus componentes. De acordo com Pollock et al. 35, aptidão física é a habilidade de executar a atividade física, seja em níveis moderados ou vigorosos, sem excessiva fadiga; e a capacidade de manter tal habilidade durante toda a vida. Para Faria Júnior 36 a aptidão física no campo da educação física, é associada às habilidades motoras e designada de “aptidão física relacionada às habilidades motoras”, a qual buscaria desenvolver as valências físicas e/ou motoras relevante para a prática dos desportos ou jogos.
Pollock et al. 35 argumentam que a quantidade e o tipo ideal de exercício para desenvolver e manter a saúde são dúvidas frequentes em relação à prescrição de exercícios. A partir de 1978, o posicionamento oficial do ACSM apresentou uma importante distinção, entre a prescrição da atividade física para obtenção de saúde e para a aptidão física. Este quadro ficou mais definido a partir das recomendações de 1990, as quais apontavam que a quantidade e qualidade dos exercícios para se obter benefícios para a saúde são diferentes da quantidade e qualidade para se obter melhorias relacionadas ao rendimento físico. Deste modo, a partir de 1998, o ACSM relatou que baixos níveis de intensidade poderiam favorecer a redução dos riscos para certas doenças degenerativas, mas poderia não ser suficiente para aumentar de modo significativo o VO2máx e obter melhores rendimentos, podendo utilizar como parâmetro um gasto calórico de 700-2000 quilocalorias por semana.
Em contrapartida, na visão de Blair et al. 11 a prescrição da AF não deve ser designada separadamente para a saúde e para a aptidão física. Estes autores partem do pressuposto que qualquer AF que tenha a capacidade de provocar alterações fisiológicas trará modificações simultaneamente à saúde e à aptidão física. Além disto, é provável que existam cargas mínimas de volume e de intensidade para que ocorra tanto adaptação fisiológica, quanto psicológica. Contudo, os autores lembram que esta hipótese para ser confirmada requereria uma investigação conduzida com uma grande amostra, uma vez que a sensibilidade às pequenas alterações nas atividades só poderia ser confirmada deste modo e que, estudos deveriam focar as relações entre o exercício e sua dose-resposta, ao invés de tentar determinar quando/como a atividade física ou a aptidão física trazem benefícios para a saúde.
Dentre as finalidades relacionadas aos testes de avaliação da aptidão física, podemos destacar “motivação dos participantes pelo estabelecimento de objetivos razoáveis e alcançáveis em termos de aptidão” e “motivar os participantes a iniciarem um programa de exercícios ou a concordarem com um programa estabelecido” estariam dentre os principais objetivos, no que diz respeito a atingir alguma mudança quanto ao comportamento dos indivíduos diante de suas atividades físicas 1, 31, 37. Por isso, torna-se imprescindível que ao formular programas de AF, os profissionais da área da saúde estejam familiarizados com as definições dos termos a seguir:
Aptidão Cardiovascular – componente da aptidão física que se refere a capacidade dos sistemas circulatório e respiratório de fornecer oxigênio durante a atividade física sustentada. A aptidão cardiovascular também é citada como resistência cardiovascular, aptidão aeróbia e aptidão cardiorrespiratória. Para o desenvolvimento desta valência física, o ACSM tem recomendado, para indivíduos adultos saudáveis, treinos com intensidade entre 40/50 a 85% da reserva de frequência cardíaca máxima ou da reserva do consumo máximo de oxigênio, com uma frequência semanal de 3-5 dias e duração de 20-60 minutos por sessão de treino 38.
Força e Resistência Muscular – Força – componente da aptidão física que se relaciona com a capacidade do músculo para exercer força. Resistência Muscular – a capacidade do músculo de gerar trabalho sem fadiga. A recomendação para o treinamento da força ou da resistência muscular resulta da necessidade do programa de exercícios físicos trabalharem um maior número de grupamentos musculares, bem como, desenvolver e manter os níveis de força muscular 24. Autores relatam que o treinamento destas valências físicas pode contribuir sobremaneira, para aumentar a densidade mineral óssea e, deste modo, facilitar a prevenção contra a osteopenia 20 e a sarcopenia 39.
Flexibilidade – componente da aptidão física que se refere a capacidade de manter uma boa amplitude de movimento nas articulações. A inclusão desta valência é baseada em possíveis benefícios decorrentes do treinamento sistemático, tais como, a melhoria e manutenção dos padrões de movimento articular; aumento do desempenho muscular; além da prevenção e tratamento de lesões musculoesqueléticas 35. A flexibilidade tem sido considerada importante por se relacionar a facilitação na execução de ações cotidianas em pessoas adultas, tais como, caminhar, andar de bicicleta ou subir e descer escadas 40.
Composição Corporal – componente da aptidão física relacionado à saúde que estabelece o peso corporal, percentual de gordura, índice de massa corporal (IMC) e tem como objetivo formular as diretrizes dietéticas; as prescrições dos exercícios e monitorar as mudanças na composição que ocorre no organismo 9, 19. As recomendações comportamentais específicas para o controle de peso incluem além de uma reeducação alimentar, um aumento das atividades físicas diárias, ou seja, uma interessante forma de contribuir para perda de peso em longo prazo e de uma subsequente manutenção 1.
É importante ressaltar que a American Heart Association (AHA) 41 desde 1959 aponta o Índice de Massa Corporal (IMC), como uma medida simples e das mais utilizadas. Seu cálculo se dá através da razão entre o peso corporal em quilogramas e a estatura em metros ao quadrado. Contudo, Powers et al. 42 destacam que esta medida, de fato, não verifica a obesidade, mas o sobrepeso, o que torna seu uso um problema. Embora seja usado extensamente nos estudos epidemiológicos, é uma medida precária para o prognóstico do percentual de gordura, uma vez que classifica erroneamente os indivíduos como obesos, se estes possuírem elevada massa muscular 31.
A atividade física é um componente fundamental e modificável, do gasto energético diário total. Quando praticada de forma regular pode intensificar a oxidação de gorduras e prevenir principalmente o aumento da gordura central relacionada com a idade. Problemas de concordância e de adesão à atividade física ainda representam as principais barreiras na adoção de um estilo de vida fisicamente ativo, principalmente nos indivíduos com sobrepeso ou obesidade.
Autores apontam para a possibilidade de se considerar outros indicadores além da aptidão física, como: percentual da população fisicamente ativa; o nível de conhecimento acerca da importância e da prática regular de AFs; a influência ambiental e comportamental, ou seja, condições gerais que favoreçam a prática e o desenvolvimento das valências físicas. Visto que a adesão é um fenômeno complexo, e que deve ser entendido como um processo, pois o hábito de praticar atividades físicas expressa, a rigor, o comportamento final almejado 29.

Fatores biológicos e fisiológicos – A literatura destaca inúmeros trabalhos acerca dos efeitos e benefícios da prática regular de AF, mas pouco tem sido tratado sobre a influência das diferenças individuais, da idade, do sexo, da etnia ou de outras variações biológicas para um determinado nível destas atividades 1, 4, 43. A primeira publicação em 1983 sobre as diferenças individuais na resposta ao exercício (diferenças de treinabilidade) relata que enquanto algumas pessoas apresentam poucos ganhos para a aptidão cardiovascular, outros aumentam em até 50% ou mais a capacidade aeróbica 44. Para os autores 21, 45 os estudos de forma geral enfatizam os efeitos das AFs para determinado tempo (duração), intensidade, frequência (por semana ou meses), mas ainda não está claro a exata natureza do mecanismo responsável pelas diferentes respostas em relação a prática de AF realizada de forma regular, apesar de, ser possível fazer associações entre o rendimento de atletas de elite e as características genéticas 43.
Dishman 12 verificou que algumas variáveis biológicas como, percentual de gordura, peso corporal e capacidade metabólica (METs), têm uma influência significativa na participação dos indivíduos em relação à duração (meses) e adesão aos exercícios. Para o autor, quanto à prescrição de exercício, mesmo com intensidades similares para adultos saudáveis e com o mesmo nível inicial de aptidão, devem existir diferenças biológicas na capacidade dos indivíduos se adaptarem ao estresse do treinamento, o qual existe no inicio do treinamento e como consequência, influencia alguns adeptos a desistirem da atividade.
Um interessante estudo, que se debruçou sobre os aspectos biológicos do envolvimento com a prática regular de AF, foi desenvolvido por Wisløff et al. 46. Neste estudo, os autores selecionaram artificialmente, após onze gerações de ratos, dois grupos de animais: (a) um de elevada aptidão cardiovascular e (b) outro de baixa aptidão. Verificaram então, que os ratos de baixa capacidade aeróbia, além da aptidão física diminuída, apresentavam maior predisposição às doenças cardiovasculares e metabólicas, tais como pressão arterial aumentada, disfunção endotelial, liberação reduzida de insulina, maior adiposidade visceral e maior quantidade de triglicerídeos. Assim, os autores concluíram que alguns danos poderiam explicar tanto a redução da aptidão física aeróbia, quanto a predisposição elevada para as doenças cardiovasculares e metabólicas. Em última análise, os resultados parecem sugerir que os animais “saudáveis”, no uso vulgar do termo, estão mais predispostos à prática regular de exercícios físicos.
Contudo, Bouchard 47 recentemente relatou que, as pessoas por terem características genéticas distintas, responderão diferentemente aos treinamentos quando submetidas às mesmas cargas e podem, por não terem uma propensão genética favorável, sentirem-se mais incomodadas com o esforço. Um exemplo destas adaptações seria as respostas significativamente diferenciadas que ocorrem nas fibras musculares dos indivíduos diante de um mesmo estímulo.Corroborando em torno das explicações fisiológicas, Guyton 48 relata que, a dimensão básica dos músculos de uma pessoa é determinada, em sua maior parte, pela hereditariedade e pelo efeito anabólico da testosterona (hormônio sexual masculino) e que o corpo humano quando submetido ao esforço físico apresenta alterações a nível muscular; no consumo total de oxigênio e na produção corporal de calor. Sendo assim, treinar o organismo para adquirir tais modificações é uma tarefa difícil, que exige além de tempo, uma predisposição física; e até mesmo algum fator motivacional ou psicológico; ou até se apresentar geneticamente mais capaz para exercer tal esforço.
A possibilidade de a genética ter um importante papel entre os aspectos influenciadores dos níveis da prática regular da AF é invocada em muitas linhas de evidência, pois os genes apresentados já são associados com alterações humanas para um determinado comportamento em relação à adesão à prática regular de AF. Verificou-se que as pessoas que começaram a se exercitar voltaram a ter dificuldade quanto ao engajamento destas atividades. Os autores questionam se as pessoas são fisicamente inativas por causa de seus genes e apontam que pouco ainda é falado sobre a genética como fator predisponente do sedentarismo ou nível de AF, ou seja, justifica-se a não adesão as AFs com fatores sociais, econômicos, circunstanciais, etc.; tal paradigma precisa ser enriquecido pelos determinantes biológicos incluindo fatores genéticos e epigênicos . Pois a herança genética influenciaria de forma bastante relevante os níveis de prática de AF. Correntes que não incorporam a influência biológica e que consideram somente uma pequena fração desta influência nos níveis de AF, não discriminam completamente as pessoas que praticam das que não AFs 2.
De certo modo, o estudo desenvolvido por Myers et al. 15 corrobora esta ideia. Nesta pesquisa, os autores observaram uma importante associação negativa entre a capacidade para realizar exercício físico aeróbio e os níveis de mortalidade para doenças cardiovasculares, de tal modo que quanto maior a capacidade aeróbia, anunciada em METs, menor o índice de mortalidade. A partir de mais de 6.213 testes de esforço, dividiu os indivíduos do sexo masculino em dois grupos: 2.534 indivíduos com 55±12anos apresentaram resultado de teste de esforço normal ou nenhum histórico de doença cardiovascular (p<0,001) e 3.679 indivíduos com 61±10anos apresentaram histórico de doença cardiovascular ou resultado de teste de esforço com algum problema (p<0.001). Os autores defendem que a capacidade para realizar exercício físico seria adequada para predizer, mais que outros fatores, os níveis de mortalidade para doenças cardiovasculares. Estes autores sugerem que tal capacidade expressada em METs , foi superior entre os indivíduos que permaneceram vivos (n=4.957) após o estudo, considerando tanto aqueles que foram julgados “assintomáticos” (n=2.246; 9.7±3.7mets), quanto os “sintomáticos” (n=2.711, 7.4±3.3mets). Concluindo que indivíduos com melhores condições físicas apresentam uma taxa maior de vida e uma maior capacidade física para as AFs. Perusse et al. 3 revelaram a influência da variação genética no desempenho esportivo e nas características fisiológicas entre os seres humanos. Desde 2001, atualizando com novas descobertas anualmente, estes autores têm se dedicado à elaboração de um mapa dos genes humanos responsáveis pelas variações fisiológicas individuais às atividades físicas. Observaram polimorfismos que acarretam variações na tolerância ao exercício; no pico da potência anaeróbia; na perda de peso e na resistência cardiovascular, entre indivíduos normais, que pertenciam ao mesmo grupo (características morfológicas e fisiológicas iguais). No desempenho da resistência cardiovascular, acharam uma significante associação entre o polimorfismo nas diferentes medidas de desempenho, no pico de VO2 e tempo máximo no exercício. Pacientes que carregavam o polimorfismo apresentavam valores de pico de VO2 significativamente mais altos, do que os que não carregavam. Pacientes com insuficiência cardíaca e que carregam o polimorfismo em determinado gene demonstraram uma diminuição na tolerância ao exercício. Para estes indivíduos, o pico de VO2 foi significativamente mais baixo. Para a composição corporal e antropometria relatou-se a associação entre determinados polimorfismos e o risco de obesidade, mulheres obesas com a variação genética tenderam a ser mais resistentes à perda de peso quando aumentaram o nível de atividade. Mesmo ativas elas mantiveram o IMC mais alto, demonstrando uma forte correlação entre as variáveis 49. Stubbe et al. 13 pesquisaram sobre a influência da genética na participação de gêmeos nas atividades físico-esportivas, em sete países. Os resultados demonstraram que há um maior percentual de homens praticantes (44%) do que mulheres praticantes (35%). Em todos os países foram encontradas significativas contribuições das características genéticas em relação à participação das atividades físico-esportivas. Autores 50 argumentam que pouco é sabido sobre os mecanismos subjacentes à influência da AF, sobre a forma e a função neural dos sistemas centrais e periféricos. Contudo, em relação aos mecanismos cerebrais parece já ser de conhecimento que: o cérebro controla diferentes processos (mental, fisiológico, comportamental, etc.); o funcionamento do cérebro é controlado por genes; fatores ambientais, sociais e de desenvolvimento podem alterar a expressão genética; e; alterações na expressão gênica podem induzir a mudanças no funcionamento e comportamento cerebral. Os autores discutem que a AF voluntária e crônica atenua respostas neurais no circuito cerebral responsável pela regulação periférica da atividade simpática, sugerindo restrição na resposta simpática ao estresse, que poderia, possivelmente, contribuir para reduções nas desordens clínicas como, hipertensão, insuficiência cardíaca, estresse oxidativo e supressão da imunidade. Os mecanismos que explicam estas adaptações ainda não são conhecidos, mas as vias metabólicas e os neuroquímicos entre os músculos esqueléticos a medula espinhal e o cérebro oferecem razoáveis estruturas que possam ser analisadas e que talvez ajudem a explicar o efeito que a AF exerce sobre o sistema nervoso central. Como exemplo, o lactato removido a partir do músculo esquelético parece agir como uma energia intercelular lançada no interior do cérebro durante o exercício de alta intensidade. Além disto, mudanças nas enzimas oxidativas no músculo esquelético após exercício poderiam ter efeitos indiretos no metabolismo cerebral. Tais relatos invocam questões de o quanto à biologia, a fisiologia e até mesmo a genética participam para uma situação limitadora ou facilitadora do desempenho humano frente às AFs, e consequentemente de o quanto tal quadro pode vir a favorecer um maior estímulo ou desestímulo à adesão. Uma “fórmula pronta” pode servir como uma base inicial de um programa de AF, como as recomendações diárias citadas pelo ACSM 1, 24, 31, mas o mais prudente talvez seja focar a organização do programa, nos resultados do teste de aptidão; na individualidade fisiológica abordando os fatores emocionais, psicológicos e sociais do indivíduo avaliado. Sendo assim, tal estratégia pode ser um instrumento para atingir um “estado” motivacional favorável a prática de atividade físicas. CONCLUSÃO Nesta revisão da literatura pôde-se verificar que identificar os aspectos motivacionais e biológicos do indivíduo para levá-lo a algum tipo de mudança, nem sempre é o suficiente para tal mudança ocorrer. Apesar de a compreensão do comportamento do indivíduo quanto aderir à prática de atividades físico-esportivas e ao exercício físico, ainda ser estudada por um grupo de autores como oriunda de aspectos motivacionais, esta revisão vem a destacar que não devemos justificar o comportamento motivado ou desmotivado dos indivíduos diante de sua forma de se exercitar, sem antes discutir o quanto os componentes da aptidão física, da biologia/fisiologia e da genética podem vir a prejudicar ou colaborar para uma maior adesão à prática de atividade físico-esportiva. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: 1. ACSM. Acsm's guidelines for exercises testing and prescription. Lippincott, Williams & Wilkins; 2000. 2. Bouchard C, Rankinen T. Are people physically inactive becouse of their genes? Research digest. 2006;7(2) 3. Perusse L, Rankinen T, Zuberi A, Chagnon YC, Weisnagel SJ, Argyropoulos G, Walts B, Snyder EE, Bouchard C. The human obesity gene map: The 2004 update. Obesity research. 2005;13:381-490 4. 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